Uma palavra sobre Jugo Desigual

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Um assunto que tem sido bastante discutido entre jovens e adolescentes, mas que não deixa de ser parte do questionamento de alguns adultos é o jugo desigual.

O jugo desigual tem sido entendido de diversas maneiras na cristandade brasileira, desde o relacionamento entre membros de denominações diferentes, ou entre pessoas de credos diferentes, até entre pessoas que tenham diferenças ‘extremas’, como por exemplo, um rico e um pobre, ou uma pessoa culta e uma não tão culta, ou uma pessoa alta e outra baixa, etc.

Todavia, o que a Bíblia tem a dizer sobre isso? Afinal, um princípio clássico da hermenêutica é que a Bíblia interpreta a própria Bíblia. Logo, nós precisamos deixar de lado o que o nosso achismo tem a dizer e nos apegar com todas as forças com o que as Escrituras e o Espírito Santo têm a nos falar, pois crer errado significa viver errado e nossa vida deve ser reflexo da nossa fé!

No Antigo Testamento o jugo desigual era uma questão étnica, ou seja, jugo desigual era um israelita casar com um gentio, visto que tanto Êx 33.2 quanto Dt 7.1-6, o Senhor ordenou aos israelitas, após a saída do Egito, que não se misturassem às nações cananeias, pois estas eram idólatras e abomináveis aos seus olhos e os casamentos mistos acabariam por quebrar a aliança divina, tornando o povo de Deus semelhante aos gentios.

No entanto, o Novo Testamento trata o jugo desigual na esfera da fé, visto que não há mais a separação entre judeus e gentios, pois qualquer judeu ou gentio que coloque sua fé em Cristo passa a fazer parte de um novo povo: a igreja.

Ao escrever sua 2ª carta aos Coríntios, Paulo diz:

Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel? E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo (2 Coríntios 6:14-16).

Este texto por si só pode não nos deixa claro a que tipo de relação o apóstolo encara como jugo desigual, e podemos incorrer nos seguintes erros: ou uma leitura superficial e/ou descuidada nos levará a pensar que ele trata de qualquer tipo de relação ou o nosso achismo nos levará a delimitar o tipo de relação que o autor refere-se.

Não obstante, não podemos esquecer o principio hermenêutico que diz: Texto, sem contexto é um pretexto para heresia. Assim, precisamos analisar este texto a luz do seu contexto, que é tudo quanto há antes e depois do texto, podendo ser os versículos do mesmo capítulo ou o livro todo ou até mesmo toda a Bíblia. É por isso que se costuma a dizer que as Escrituras são um todo coerente.

Desta maneira, tratamos o seguinte texto como contexto ou chave para entendermos a que tipo de relação o apóstolo Paulo reconhece como jugo desigual:

Já em carta vos escrevi que não vos associásseis com os impuros; refiro-me, com isto, não propriamente aos impuros deste mundo, ou aos avarentos, ou roubadores, ou idólatras; pois, neste caso, teríeis de sair do mundo. Mas, agora, vos escrevo que não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal, nem ainda comais. Pois com que direito haveria eu de julgar os de fora? Não julgais vós os de dentro? Os de fora, porém, Deus os julgará. Expulsai, pois, de entre vós o malfeitor (1 Coríntios:5.10-12).

De acordo com Paulo se tivessemos que não ter nenhuma relação com não-cristãos deveríamos sair do mundo, visto que por estarmos no mundo nós sempre teremos contato com eles no trabalho, na escola ou universidade, na rua, na vizinhança, no lazer, etc. Então, com quem não devemos nos relacionar nestas áreas citadas? Com aqueles que se dizendo cristão, é imoral, avarento, idolatra, maldizente, alcoólatra, ladrão, entre outras coisas, e a orientação paulina é de que nem comamos com estes.

O tipo de associação, comunhão e concórdia a qual Paulo chama de jugo desigual na segunda carta restringe-se apenas as relações amorosas, já que das outras relações como trabalhistas, acadêmicas, educacionais, esportivas etc, ele tratou em sua primeira carta.

Com quem um cristão não pode ter este tipo de relação? Bem, Paulo pergunta que comunhão tem a luz com as trevas e não há um lugar melhor para entendermos o sentido destas metáforas do que no evangelho de João, o qual nos diz:

De novo, lhes falava Jesus, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida (João 8.12).

Neste texto, luz é uma metáfora para um seguidor de Jesus, enquanto que trevas, aqueles que não seguem a Cristo, portanto o jugo desigual é uma relação amorosa entre discípulos de Cristo e não discípulos. O que me leva a costumeiramente dizer que crente não namora com não crente, e crente não namora com qualquer crente, mas apenas com aqueles que são discípulos de Cristo.

Neste caso, não se configura biblicamente jugo desigual o namoro ou casamento entre pessoas de condições socio-econômico diferentes ou de denominações diferentes e o que dizer entre pessoas de religiões diferentes, bem se for possível haver discípulos de Cristo, segundo as Escrituras, em outras religiões, então não há nenhum problema, mas se não houver, então é jugo desigual, mas sobre isso escreverei em outro post.

 

Naquele cujo jugo é suave e o fardo é leve,

Zé Bruno

 

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16 comentários em “Uma palavra sobre Jugo Desigual

    shyrlei disse:
    14 de janeiro de 2012 às 4:54 pm

    Isso aí Brunão.. Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas me convém! Deixa Deus te usar mais.. e eu recebo mais daqui… rs.. Bjo!

    Pr Mazinho disse:
    14 de janeiro de 2012 às 6:15 pm

    Palavras de teólogo!

    Rosângela Rodrigues disse:
    14 de janeiro de 2012 às 6:50 pm

    E quanto a pessoa que contraiu matrimonio, uma crente com um descrente, que não tem a mesma fé e nem a mesma chamada ministerial. E ela vive em uma intensa solidão espiritual, o que esta pessoa deve fazer, já que já casou?

    Jessica Orem disse:
    16 de janeiro de 2012 às 3:44 pm

    ‎Zé Bruno, adorei o texto. E sobre a foto que ilustra o tema então: Perfeita.
    Essa foto vai muito de acordo com a convicção que eu tenho e que sempre que possível propago entre as meninas da igreja, principalmente àquelas que são doidas pa…ra arrumar um namorado!!!
    Eu acredito que a mulher deve dar ao homem, em um relacionando afetivamente, três coisas: LIMITE, EDUCAÇÃO E SUBMISSÃO, sendo esta ultima depois do casamento.
    Pois a garota que vai à igreja atrás de um namorado e aceita namorar com o primeiro pretendente que aparece no caminho, deve ter muito cuidado!!!
    Deve se lembrar da lei da semeadura!!!!
    Pois se a menina toma a iniciativa para que a relação comece e manda no relacionamento na fase de namoro, provavelmente depois, ela vai se queixar que casou-se com uma MULA. Esquecendo-se que foi ela que plantou isso, a tomar a iniciativa na frente do garoto.
    Se mandar em um homem, que tenha menos iniciativa que ela era tarefa fácil antes do casamento. Obedecer a ele depois do casamento vai ser dose.
    Infelizmente, o que percebo é que a cultura do mundo referente à paquera está, cada vez mais, dentro das igrejas.
    Geralmente temos mais de uma garota gostando do mesmo menino na igreja. Enquanto que, a meu ver, as meninas ao invés de ficar tentando aparecer para os garotos da igreja, deveriam esperar o cara certo as notarem e consequentemente as procurarem.
    Pois quem tem a santidade para oferecer, não pode aceitar menos do que isso em troca.

      tamires disse:
      16 de janeiro de 2012 às 8:02 pm

      concordo com vc Jéssica.Ah e Bruno parabéns pelo texto maravilhoso.

    Marcia disse:
    16 de janeiro de 2012 às 9:28 pm

    Ei adorei o texto e concordo com ele, as únicas coisas que pontuaria você já disse que vai falar em outro post! (:

    Alex Balbino disse:
    17 de janeiro de 2012 às 2:59 am

    Se alguém acha q n tem nada demais em ter um relacionamento com um descrente, então teremos que rasgar algumas páginas da Bíblia Sagrada. E o mais impressionante é que, tem igreja, ainda nos nossos dias que, ainda pregam que um Batista namorar com um Assembleiano etc, é jugo desigual. Ah vah!!!!! Aí, vc pergunta pra o(a) menino(a): Essa pessoas que vc está namorando é Crente em Jesus? Ao responder, começam a gaguejar: Ééééé…ele(a) está frequentando. Como disse, Eugene Peterson: “O problema é q muitos interpretam as Escrituras de acordo com Seus Sentimentos, Seus Desejos e Sua Necessidades”. Temos q interpretar o Texto de acordo com os propósitos do Autor.

    Pedro Luz disse:
    17 de janeiro de 2012 às 3:11 am

    Graça e Paz. Gostei do texto que você escreveu sobre jugo desigual, todos que amam a Palavra de Deus precisam conhecer as regras da hermeneutica e da exegese para a devida interpretação do texto bíblico, a fim de não adulterá-lo, e é a mais pura verdade que um texto fora do seu contexto é um pretexto para uma heresia, tenho afirmado isso de púlpito.
    Mas não concordo com a afirmação de que o texto de… 2 Co 6.14-16, não deixa claro a que tipo de relação o apóstolo se refere. Concordo com o pensamento de que a natureza determina a associação e uma vez que ovelha tem a natureza de ovelha, rumina o capim junto a outras ovelhas no pasto.
    Isso no entanto não significa dizer que faremos da igreja um gueto, pois não creio que a nova criatura deva se sentir superior a quem quer que seja, ou se afastar das pessoas pelo simples fato de ser crente, isso é ignorância a meu ver. Devemos nos relacionar bem com todos, a final de contas o sentido maior de ser eclésia, ou igreja, é ser chamados para fora. Relacionamento é a capacidade de cada pessoa de conviver com seus semelhantes apesar de suas diferenças.
    Paulo no texto utiliza os seguintes substantivos: sociedade, comunhão, harmonia e união e cada uma dessas palavras se refere a presença de algo em comum. Paulo deixa mais do que claro o contraste gritante entre cristãos e não cristãos, justiça e iniquidade, luz e trevas, Cristo e o Maligno, crente e incrédulo, santuário de Deus e os ídolos. Fica portanto, a meu ver, mais do que claro que não tem como unir esses opostos.
    Percebo nesse texto que não tem como haver uma relação intima ou amorosa seja, namoro, noivado ou casamento como você citou no texto, Paulo está dessa forma se referindo a qualquer tipo de sociedade que requeira um compromisso maior, uma relação mais próxima. “A natureza vai determinar a associação”.
    Concordo com Russell Shedd: “Na dinâmica da vida crista, qualquer ligação com incrédulos que tende a diminuir o amor ou mudar a direção da peregrinação para Deus é julgo desigual”.
    1 Jo 2.15 diz: “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do pai não está nele”.
    Dt 22.10 diz: “Não lavrarás com junta de boi e de jumento”.
    Creio que a fé que ama sempre quer conhecer mais, por isso entendo que a discussão sadia e o debate que visa o crescimento sempre deve acontecer, pois a final de contas a verdade sempre suportará o exame.
    Em Cristo, fraternalmente, Pr. Pedro Luz.

    Anderson Valcam disse:
    17 de janeiro de 2012 às 9:01 pm

    Brunão, gostei do texto. Concordo… Só tenho uma obs: Quando vc diz: “condições socio-econômico diferentes ou de denominações diferentes e o que dizer entre pessoas de religiões diferentes…” eu não concordo totalmente, já que vivi estes conflitos. É claro que não são determinates, absolutos, mas fazem com que grandes conflitos na vida de um casal surjam. (os lugares que frequentam, os parâmetros, os sonhos, as aspirações) Aprendi, que existem outros julgos desiguais….. Mas isso é pra refletir…..
    Parabéns pelo texto!! muito bom!!

    Abração!!

    Jaziel disse:
    18 de janeiro de 2012 às 4:24 pm

    Muito bom o texto, Bruno! Deus te abençoe man!

    Kemuel disse:
    18 de janeiro de 2012 às 10:12 pm

    Não resisti. Tive que retweetar!

    Excelentes colocações.

    katharina disse:
    28 de janeiro de 2012 às 11:46 am

    Parabéns Bruno!!!!! O texto desperta bastante curiosidade, muito bem colocado e acima de tudo as dúvidas levantadas no decorrer do assunto são todas respondidas pela palavra de Deus de maneira direta. Que o Espirito Santo continue te iluminando mais e mais…

    Alex Balbino disse:
    5 de março de 2012 às 3:04 pm

    Zé, se você namorar com uma menina menor que você: isso é jugo desigual, viu? (Brinquei).

      Zé Bruno respondido:
      5 de março de 2012 às 3:09 pm

      No meu caso eu acho que sim, afinal quero uma namorada a altura!! hauhau

        Alex Balbino disse:
        5 de março de 2012 às 3:14 pm

        Boa, boa, boa! hehehehe

    Marcelo disse:
    15 de janeiro de 2016 às 12:30 pm

    Boa tarefa gostaria de parabenizar pelo conteúdo e pedir a continuação do mesmo como vc mesmo disse no final que comentaria em outro post
    Obrigado

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