Caso Ceci Cunha – Um julgamento em que não há ganhadores

Postado em Atualizado em

by Márcia Buarque

Num julgamento como esse não há ganhadores. Familiares da vítima saciaram sua sede de justiça enquanto familiares dos réus sentir-se-ão vítimas de uma grande injustiça, sentimento este que deve ser respeitado tanto quanto aquele primeiro.

Muito mais tranquilo do que o esperado, o julgamento terminou com a já prevista condenação dos réus e independentemente disso continuo sendo contra o júri popular. Decidem na maioria das vezes, pelo prejulgamento que já os acompanham antes mesmo de serem designados a compor o corpo de jurados, e normalmente não possuem nenhum compromisso com a JUSTIÇA. Pois, como disse minha amiga Renata Vieira:

Uma coisa é certa, nós, seres humanos, amamos condenações (e certamente não é porque amamos a Justiça).

Deixando de lado os achismos, assistindo a todo o julgamento pude ver claramente a pobreza de provas necessárias a se condenar cinco pessoas a 105 anos de prisão, o que para a maioria deles significa prisão perpétua.

 De toda sorte, foi um momento marcante para a Justiça de Alagoas e principalmente para a vida da família das vítimas, depois de tanto tempo, ter visto atendido seu pleito.

Foi bonito ver o trabalho tanto da acusação, especialmente na pessoa do Procurador da República Rodrigo Tenório, seguro, competente e correto, quanto da defesa e então refiro-me a todos os advogados atuantes no caso, que fizeram seu trabalho com muita destreza.

Foi bonito ver a máquina judicial trabalhando com excelência, seja pela competência e compromisso de seus funcionários, seja pela organização.

Foi bonito ver pessoas de bem, parentes e amigos das 04 vítimas (não apenas da Ceci Cunha) solidários a dor dos parentes e amigos de seus então adversários e mantendo um comportamento bastante respeitoso tanto com o ambiente em que se encontravam quanto com as pessoas com quem litigavam.

Mas também foi triste ver as pessoas de bem, parentes e amigos dos 05 réus, que acreditam em suas alegações de inocência e sofrem as consequências que seus entes terão que enfrentar.

Foi triste ver, por muitas vezes, a falta de respeito de um dos Advogados que atuou como assistente de acusação para com os seus colegas e o tribunal do júri de uma forma geral.

Foi triste ver a imprensa (mais uma vez a imprensa) criando matérias por vezes perversas e desrespeitando completamente a dor do outro enquanto ser humano (seja ele parente de réu ou não), bem como desrespeitando o direito à imagem garantido pela Constituição Federal a cada cidadão (como de costume).

Foi feio, ver um dos procurados atuantes no caso (e não me refiro ao Dr. Rodrigo Tenório), sorrindo enquanto era lida a sentença condenatória dos réus, já que, até onde eu sei o Ministério Público não atua contra pessoas, mas atua pela busca da verdade real, portanto sendo o seu representante conhecido como: Promotor de JUSTIÇA.

Sobretudo, devo admitir que foi bonito ver cumprido o que prevê a nossa Lei Maior, a vontade soberana do povo.

E para aqueles que dizem “um bandido desses ainda tem família pra ir lá chorar por ele”: é onde está o sentido da família. Chorar pelo outro, acompanhar o outro, seja ele a vítima, seja ele o réu. O que vi foram alguns amigos, mas muita família. Família que sofreu a perda de 04 entes de uma vez, que teve sonhos frustrados, sonhos mudados. E família que vai ter que construir novos sonhos, que vai ter que aprender a perdoar. Família que poderia ser a minha, ou a sua.

Fonte: http://www.facebook.com/mbuarque1/posts/279759172085581


Márcia Buarque, mas conhecida como Marcinha é uma pernambucana, radicada em Alagoas, graduada em Direito, assessora jurídica, interesse-se pelas ciências criminais, um de seus hobbies é a observação e o estudo do comportamento humano, seguidora de Cristo e continua dependente de sua graça.

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Um comentário em “Caso Ceci Cunha – Um julgamento em que não há ganhadores

    Alda Costa disse:
    24 de janeiro de 2012 às 7:10 pm

    Olá Bruno, parabéns pelos textos, especialmente este sobre o julgamento “Ceci Cunha”, gostei, uma palavra crítica, imparcial, que parece sair de um coração que nutre ou busca um profundo senso de JUSTIÇA, justiça essa que alcance a todos, vítimas ou réus, cada um a sua medida.
    Um abraço!

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