Uma palavra sobre quem são os filhos de Deus

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Você curte aquelas frases que comumente encontram-se nas traseiras dos caminhões? As vezes são versículos bíblicos, provérbios populares, frases de efeito, enfim as mais diversas.

“Não sou dono do mundo, mas sou filho do dono” é uma das que mais vejo e acredito que o que esta por trás dela é a crença popularmente aceita tanto por católicos, quanto por alguns evangélicos ou mesmo por aqueles que não se consideram parte de nenhum desses dois grupos de que todo mundo é filho de Deus.

Se pensarmos um pouco sobre isso, veremos que há algo errado com essa crença, pois se todo mundo é filho de Deus isso inclui os políticos corruptos de Brasília, da Assembléia Legislativa do seu Estado e de Câmara Legislativa de seu Municipal; inclui os adúlteros e adulteras que fazem cônjuges fiéis sofrerem; os “espertalhões”, para não dizer ladrões, que passam a perna em outras pessoas, prejudicando trabalhadores honestos, fazendo-os perderem parte ou tudo do que conseguiram com o suor de seus trabalhos; os pastores sem caráter que se aproveitam do sofrimento alheio para conseguirem seus bens com a promessa de vitória, em que se não conseguirem a culpa será atribuída ‘a falta de fé’ do povo.

Como posso crer que essas pessoas são filhos ou filhas de Deus?  Não há como, visto que suas vidas em nada refletem Deus ou exalam o bom cheiro de Cristo.

Ao  julgarmos a crença acima a luz da Palavra de Deus, descobriremos que ela não passa de uma mentira, pois segundo Jesus: Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu filho único[i], logo se o único filho de Deus é Jesus Cristo, o que nós somos?

O livro do Gênesis afirma que os seres humanos foram criados a imagem e a semelhança de Deus (Gênesis 1.27) e Jesus ordenou aos seus discípulos a irem pelo mundo e pregarem o evangelho a toda criatura (Marcos 16.15), ora de qual criatura falava Jesus? Do boi, do cavalo, dos pássaros? Claro que não, pois são seres irracionais, mas dos seres humanos, suas criaturas racionais. Então nós, a humanidade, somos criaturas de Deus e enquanto criaturas desfrutamos do mesmo que os injustos: porque ele (Deus) faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos (Lucas 5.45).

Bom, o evangelho não para por aí, pois é sempre uma boa notícia e nele nos é revelado que Deus não quer ser o Pai de um filho só, mas deseja muitos outros filhos, por isso Ele adota a todos aqueles que ouvem o seu chamado.

Este chamado é o evangelho, o qual convoca a todos os homens e mulheres ao arrependimento, a tomarem sua cruz, a crerem em Jesus, não no sentido de aceitar a sua existência, mas a ser fiel Ele, devotando sua vida completamente e a estes que assim fizerem serão lhes dado o poder de serem feitos filhos de Deus[ii].

Segundo Jesus, este poder que torna alguém num filho de Deus é o Espírito Santo, não um poder impessoal, mas ao contrario, pois o Espírito Santo é uma pessoa divina que nos faz nascer de novo:

Havia um fariseu chamado Nicodemos, que era líder dos judeus. Uma noite ele foi visitar Jesus e disse: – Rabi, nós sabemos que o senhor é um mestre que Deus enviou, pois ninguém pode fazer esses milagres se Deus não estiver com ele. Jesus respondeu: – Eu afirmo ao senhor que isto é verdade: ninguém pode ver o Reino de Deus se não nascer de novo. Nicodemos perguntou: – Como é que um homem velho pode nascer de novo? Será que ele pode voltar para a barriga da sua mãe e nascer outra vez? Jesus disse: – Eu afirmo ao senhor que isto é verdade: ninguém pode entrar no Reino de Deus se não nascer da água e do Espírito. Quem nasce de pais humanos é um ser de natureza humana; quem nasce do Espírito é um ser de natureza espiritual. Por isso não fique admirado porque eu disse que todos vocês precisam nascer de novo. O vento sopra onde quer, e ouve-se o barulho que ele faz, mas não se sabe de onde ele vem, nem para onde vai. A mesma coisa acontece com todos os que nascem do Espírito. (João 3.1-8 NTLH)

Os filhos adotivos são as criaturas que ouviram o evangelho e creram nele e ao crerem receberam o Espírito Santo, o qual passou a morar dentro desta criatura. Logo, toda criatura sem o Espírito é uma criatura, mas toda criatura com o Espírito é um filho adotivo de Deus.

Portanto, meus irmãos, nós temos uma obrigação, que é a de não vivermos de acordo com a nossa natureza humana. Porque, se vocês viverem de acordo com a natureza humana, vocês morrerão espiritualmente; mas, se pelo Espírito de Deus vocês matarem as suas ações pecaminosas, vocês viverão espiritualmente. Pois aqueles que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Porque o Espírito que vocês receberam de Deus não torna vocês escravos e não faz com que tenham medo. Pelo contrário, o Espírito torna vocês filhos (adotivos[iii]) de Deus; e pelo poder do Espírito dizemos com fervor a Deus: “Pai, meu Pai!” O Espírito de Deus se une com o nosso espírito para afirmar que somos filhos de Deus. (Romanos 8.12-16 NTLH)

O que é viver de acordo com a nossa natureza humana pecaminosa? Acredito que as palavras de Paulo aos irmãos da galácia são bem oportunas:

As coisas que a natureza humana produz são bem conhecidas. Elas são: a imoralidade sexual, a impureza, as ações indecentes, 20a adoração de ídolos, as feitiçarias, as inimizades, as brigas, as ciumeiras, os acessos de raiva, a ambição egoísta, a desunião, as divisões, 21as invejas, as bebedeiras, as farras e outras coisas parecidas com essas. Repito o que já disse: os que fazem essas coisas não receberão o Reino de Deus. (Gálatas 5.19-21 NTLH)

Sabe por que não receberão o Reino de Deus? Porque o Reino de Deus é todo espaço onde Deus faz a sua vontade. Se observarmos a Oração do Senhor, também conhecida como Pai-Nosso, veremos que o Reino está nos céus e nos céus a vontade de Deus é feita plenamente, logo o pedido da oração é que o Reino venha pra Terra e que a vontade de Deus seja feita na Terra como é feita nos céus: venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu (Mateus 6.10).

Sendo assim, o Reino é incompatível com uma vida que caminha na contramão da vontade de Deus, os quais Paulo chama de filhos da desobediência[iv], enquanto que os filhos amados[v] são exortados a serem imitadores de Cristo.

Ser filho de Deus não é uma questão de mudança de religião ou de aderir à igreja A ou B, mas uma experiência de novo nascimento, que teologicamente chama-se regeneração e tal experiência só é possível quando cremos no evangelho, pois ele é o poder de Deus para salvar todo aquele que crer.

Sendo assim, vale a pena relembrar o seguinte episódio dos evangelhos que resume bem o que significa ser um filho de Deus:

Quando Jesus ainda estava falando ao povo, a mãe e os irmãos dele chegaram. Ficaram do lado de fora e pediram para falar com ele. Então alguém disse a Jesus: – Escute! A sua mãe e os seus irmãos estão lá fora e querem falar com o senhor. Jesus perguntou: – Quem é a minha mãe? E quem são os meus irmãos? Então apontou para os seus discípulos e disse: – Vejam! Aqui estão a minha mãe e os meus irmãos. Pois quem faz a vontade do meu Pai, que está no céu, é meu irmão, minha irmã e minha mãe. Mateus 12.46-49 [NTLH]

Naquele que chama indignos, os adota em Cristo e os trata como filhos amados,

Zé Bruno


[i] João 3.16

[ii] João 1.12

[iii] Na NTLH não aparece a palavra adotivo, mas está presente em diversas traduções como a RA e RC, por isso resolvi  colocá-la entre parênteses para fixa a ideia de adoção.

[iv] Efésios 2.2

[v] Efésios 5.1-2

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