Uma palavra sobre Evangelização

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Os protestantes são chamados de evangélicos e uma de nossas atividades mais comuns é a evangelização, porém nem todos evangelizam!

Entre os que promovem a evangelização, encontramos os que o fazem pela proclamação verbal e os que o fazem pelo exemplo.

Os que fazem pela proclamação verbal, não se envergonham de praticá-la, porém muitos destes tem o evangelho na ponta de língua, mas suas vidas não demonstram-no; já os que o pregam com suas vidas, lembram de cor e salteado a máxima atribuída ao amigo dos animais, São Francisco de Assis: “Evangelize sempre e se necessário use palavras”, porém muito desses omitem-se no anuncio verbal.

O correto mesmo não é “pregar o que vive”, pois nem sempre todos os que pregam vivem o evangelho em sua totalidade, logo para os que creem nesta máxima aí, a proclamação limita-se ao que o proclamador vive.  Todavia o certo mesmo é “viver o que prega”, não limitando o anuncio do evangelho a nossas vidas, mas configurando nossas vidas ao evangelho.

Uma vez perguntaram a um pregador se ele vivia tudo o que pregava e sua resposta foi: A mensagem que prego é, e deverá sempre ser, mais nobre do que eu; sou desafiado por ela. Esse deve ser o sentimento que tem de haver em cada cristão, afinal a ordem de anunciar as Boas Novas foi impetrada a todos os discípulos de Cristo.

Nós evangélicos temos o hábito de fazer apelos após nossas preleções para quem quer aceitar Jesus e consideramos que quando alguém atende aos nossos apelos (que em alguns casos são infelizmente insistentes) esta pessoa se converteu, a ponto de afirmamos “x almas de converteram”.  Não obstante o fato de que alguns desses que atendem aos apelos o fazem de maneira consciente, mas não podemos afirmar que tais pessoas se converteram, o máximo que podemos dizer é que elas aderiram o protestantismo.

Entretanto a conversão é uma experiência que só aqueles que nascem de novo podem experimentá-la e o momento em que esta experiência acontece não tem hora marcada, nem pode ser produzida, pois é um ato exclusivo de Deus e que aqueles que a vivem podem ou não percebê-la de imediato, porém a transformação que esta pessoa vive torna-se perceptível.

A evangelização tem quatro etapas: indo, fazei discípulos, batizai e ensinai.

A evangelização ocorre em movimento, logo não há um espaço próprio pra realizá-la, pois onde houver um coração sem Cristo, ali há um alguém que precisa ouvir as Boas Novas.

O objetivo da evangelização é o discipulado e não o proselitismo, logo não conquistamos pessoas para nossas igrejas ou pastores ou nossa visão, mas anunciamos Cristo e apontamos somente pra Ele e seu reino.

O discipulado não ocorre numa classe de EBD ou num cursinho ou seminário que a igreja promova, mas nos relacionamentos entre os que já seguem as pegadas de Jesus.

O batismo não concede e nem garante a salvação de ninguém, afinal Jesus disse que “quem não crer será condenado”, assim a salvação é uma questão de fé, logo o batismo é um símbolo da nossa fé e o símbolo não é um fim em si mesmo, mas sempre aponta para algo que transcende o símbolo, que no caso do batismo representa o sepultamento do velho homem, a purificação e a ressurreição com Cristo para um nova vida com Deus.

Todo discípulo de Jesus não está “pronto e acabado”, assim necessita sempre aprender do evangelho, daqueles que já são discípulos de Jesus. O aprendizado é para vida toda e e aqueles que ensinam devem dedicar-se ao ensinado, por isso as reuniões cristãs visam a edificação, a maturidade, que dá-se principalmente pela via do ensino.

Qual o fundamento da evangelização? O Senhorio de Cristo, afinal todo poder nos céus e na terra foram dados ao Senhor Jesus, logo podemos anunciá-Lo e suas Boas Novas em todo espaço da criação!

Sempre depois de um censo, nós evangélicos somos notícia acerca do crescimento do protestantismo e neste último o do fenômeno dos evangélicos sem igreja, todavia muitos contentam-se com o grande número que compõe as Marchas pra Jesus, que em muitos casos não passam de “micaretas gospel”, pois tais número atraem a atenção da mídia.

Pensando sobre isso pergunto-me se este aumenta deve ser motivo de contentamento, afinal o que vemos são multidões de discípulos de Jesus ou de adeptos da igreja evangélica? O que temos feito é evangelismo ou proselitismo? O que existe são seguidores de Cristo ou seguidores do pastor, bispo e apóstolo fulano de tal? Esta multidão de “crentes” tem suas vidas definidas em antes de depois de Cristo ou antes e depois de ter entrado na igreja A ou B?

Gostaria de deixar estas reflexões para você e além disso fica este comentário do missiólogo Jacques Dupuis,  sobre o reducionismo da evangelização:

A evangelização é reduzida à proclamação de Cristo: a missão consiste em pôr a salvação à disposição de todos, através da presença universal da Igreja. A tarefa principal e quase exclusiva da atividade missionária consiste em estabelecer e desenvolver as estruturas eclesiais, bem como fazer crescer o número dos membros da igreja. O êxito da missão é avaliado de acordo com o número de “convertidos” ao cristianismo e com o crescimento das comunidades cristãs. A missão se identifica com a plantação da igreja a qual proclama. Anunciar a Jesus Cristo significa, desse modo, anunciar a própria igreja.

Pense nisto!

Naquele que é a maior expressão do amor de Deus, o Evangelho em si,
Zé Bruno

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Um comentário em “Uma palavra sobre Evangelização

    Carla disse:
    10 de agosto de 2012 às 2:10 pm

    Criando a roda Bruno… huummmm

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