Uma breve história da música cristã brasileira

Postado em Atualizado em

Por Fábio Sampaio

zxc-712848Muito se fala sobre a música cristã brasileira, mas qual a principal característica dela?

De onde veio? Dá pra saber para onde vai?

Bom, venho refletindo sobre isso já há alguns anos e as conclusões a que cheguei são as seguintes:

Até a década de 1960 a música cristã brasileira limitava se basicamente a versões de hinos e corinhos estrangeiros, em sua maioria norte-americanos.

Foi nos anos 60 que os primeiros grupos musicais/missionários começaram a ganhar força e renome nacional. Aqui, citarei o Vencedores Por Cristo como o mais influente.

Nesta época, o que prevalecia em sua discografia eram ainda eram versões de canções gringas. Foi em 1977 que o VPC lançou o disco que pode ser considerado, se não o, certamente um dos mais importantes LPs da história do que na época ainda se conhecia como “música evangélica”. Apesar de uma mudança estética profunda na sonoridade das canções, as letras ainda permaneciam num ambiente proselitista, ou evangelístico, como se costuma dizer. Mas ainda assim, possuía mudanças profundas na linguagem utilizada, e no lirismo proposto, que se aproximava mais dos de fora da igreja.

Na década de 1980, o rock era o movimento musical reinante em nossa nação. Já nas igrejas, ainda reticentes ao estilo, grupos e bandas, que se propunham a produzir música cristã, se proliferavam. Bandas como Logos, Rebanhão, Catedral e comunidades evangélicas, como a da Graça, ganharam muito espaço.

Chegando aos anos 90 algo realmente impressionante aconteceu. Com o advento e popularização do termo “música gospel”, a produção musical cristã alcançou novos patamares. Rock, reggae, hip-hop e estilos regionais tomaram conta das prateleiras. Agora, qualquer rítmo era válido, desde que a letra fosse (assim como na década de 70) proselitista/evangelística. Uma mudança drástica na forma, mas ainda pouco se via, salvo algumas exceções, de novidade no lirísmo. Foi nessa época que o dito MERCADO GOSPEL realmente surgiu. E como todo mercado, nem sempre o bom é o que mais vende, sendo assim, o que ganhava mais espaço tornou-se o que mais se ouvia em rádios, e consequentemente, o que mais se produzia nas poucas, porém, interessadas gravadoras da época.

Também foi nessa década que o Brasil conheceu a Hosana Music. Ron Kenoly e Cia tornaram-se referência de grupo de louvor para diversas e importantes igrejas do Brasil. Todos queriam ter um baterista que soubesse tocar salsa e um trio de metais cool em seus grupos de louvor.

Foi então que, fim dos anos 90, surgiu um grupo de louvor com uma proposta muito interessante para a época, em qualidade e sonoridade, que rápidamente ganhou a nação. Foi em 1998 que um grupo de músicos da Igreja Batista da Lagoinha lançou seu primeiro Cd “Diante do Trono”, a repercussão foi tanta, que o grupo passou a ser chamado de Ministério Diante do Trono, gerando assim uma nova onda, onde grupos de louvor, pelo Brasil, passaram a se denominar ministérios.

Já na metade da primeira décade de 2000, chegam às congregações brasileiras cancões mais simples, com levadas de folck no violão, pegada de rock nas guitarras e bateria, o Modern Worship aporta em terras tupiniquins. Delirous?, Sonicflood, Matt Redman entre outros se tornam figurinhas carimbadas no cancioneiro jovem nacional. Mais uma vez o ciclo gringo-nacional vira seus olhos para fora.

Interessante perceber que foi nessa época que começaram a surgir no Brasil, artistas e bandas que se propunham a fazer algo diferente, algo que possuísse renovações tanto estéticas, quanto líricas.

A internet banda-larga foi fundamental para diminuir o gap que existia entre o que acontecia lá fora e aqui dentro. A percepção, assimilação e produção artística, sob influências externas, tornou-se imediata. O principal nome deste embrião, do que hoje vem sendo chamado de “novo movimento”, foi a banda Aeroilis, que lançou seu primeiro disco homônimo em 2004. Em 2005 a Tanlan, outra banda também do sul, engrossa o côro com o lançamento de seu EP.

Agora entramos na segunda metáde da primeira década dos anos 2000. Nomes como Palavrantiga, Hibernia, Crombie, Danni Distler e muitos outros começam a ganhar força num pequeno, porém agitado, cenário underground/alternativo cristão.

Chegamos ao ponto onde estamos. Observando a forma como este ciclo “gringo-nacional” se comporta, acredito realmente que estamos na década em que olharemos mais para dentro. A produção nacional está crescendo. A cada dia, mais e mais, novos e criativos artistas cristãos surgem e divulgam suas produções pelo youtube, soundcloud, facebook e twitter.

Esta turma não tem mais como sua principal preocupação se sua música funciona na igreja ou fora dela, se é ou não funcional, evangélistica ou proselitista. Eles se preocupam em produzir arte, e arte de qualidade, com critérios que vão além dos teológicos, mas também estéticos e líricos. Não negam ou rejeitam o passado, mas procuram ir além.

Vivemos a década da busca por relevância social, onde a produção artística não fique limitada a um label ou rótulo apenas, mas que alcance novos horizontes, derrubando muros, construindo pontes e levando a esperança aonde, dela, ainda não se ouviu.

Vamos juntos?

Bom, este foi um resumão do que penso e percebo da nossa história músico-cristã brasileira.

Muitos nomes foram omintidos (imagine só o tamanho que isso aqui teria), mas convido todos a complementarem, com suas percepçõoes e observacões, nos comentários.

Os principais nomes, conhecidos e desconhecidos, desta nova safra que venho garimpando são: AeroilisBanda HiberniaMarcela TaísCrombieLorena ChavesDanni Distler,Eduardo Mano, Banda Salt, Grato!, Hélvio Sodré, Adriel Nephesh, PrimerandarOs Oitavos,Quarto Fechado, Palavrantiga, Tanlan.
Se vocês lembrarem de outros, é só listar nos comentários.


fabiosampaio1Fábio Sampaio tem 32 anos é pernambucano, mas reside em Porto Alegre. Formado em Música pela UFRGS, Diretor Musical da UlbraTv e vocalista da Tanlan. Marido da Luiza e pai da Bianca e nas horas vagas curte fazer vídeos como este: aqui

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2 comentários em “Uma breve história da música cristã brasileira

    kleber gustavo. disse:
    8 de março de 2013 às 9:30 am

    Desculpe-me, mas por que ignorar o que os católicos produziram? Será que a ignorância não alcança a misericórida de Deus??? Aliás, há imensa quantidade de hinos brasileiros que marcam também nossa origem europeia e estão longe da cultura pop norte-americana.

      Zé Bruno respondido:
      8 de março de 2013 às 10:59 am

      Caro, kleber, sabemos que o adjetivo “cristã”, não resume-se apenas entre evangélicos e católicos, não é? Há outras grupos religiosos (os adventistas por exemplo) que fazem parte do Cristianismo, todavia a produção musical deles não foi citada também!
      A autor do texto preocupou-se em escrever sobre a música cristã que faz parte de sua área de atuação e que ele conhece, não escreveu com a proposta de afirmar que esta seja a única música cristã.
      Espero que compreenda!!

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