Mês: junho 2015

A disciplina bíblica não tem um fim punitivo, mas pedagógico!

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É muito comum em algumas igrejas o uso da disciplina quando algum membro peca. Comumente a disciplina é a suspensão temporária das atividades da igreja e da participação da ceia do Senhor, restando ao disciplina a frequência nos cultos.

O interessante é que apesar de todo pecado ser pecado, muitas igrejas fazem distinção entre eles. A ponto de a disciplina ser aplicada apenas nos casos de transgressões sexuais. Ser disciplinado nestas igrejas é como usar uma letra escarlate, que denuncia “aqui está um cristão que pecou sexualmente”.

Quando tais igrejas fazem distinção entre pecados, elas acabam dizendo que há pecados que merecem a nossa a atenção enquanto há outros que não. O problema dessa forma de pensar é que a tentação de qualquer pecado merece nossa (atenção) vigilância e oração. Tratar os pecados sexuais com maior atenção do que outros é colocar sobre aqueles que os comentem um fardo maior do que o peso que tais pecados tem.

Quando Paulo cita em suas cartas algumas listas de pecados¹, ele não se limita aos sexuais, mas aos de outras espécies também. Quando ele exorta a igreja de Coríntio chamando-a de carnal, embora fosse enriquecida com dons, palavra e conhecimento, ele o faz pelo fato de haver ciúmes e contendas nela². Os pecados sexuais não são os únicos que mereçam nossa atenção, mas como já disse todo e qualquer pecado.

Pense comigo agora: se essas igrejas que disciplinam apenas os que comentem pecados sexuais concordarem que devem tratar todos os pecados de forma igual, então quem não será disciplinado? Afinal, ser salvo não é ser imune ao pecado, pois se assim fosse o sangue não continuaria a jorrar para aqueles que vivem na luz.³

Portanto a disciplina não deveria ser aplicada em casos de cristãos que pecaram, mas se arrependeram. E sim naqueles casos em que o cristão que pecou permanece em seu pecado. Se você não concorda comigo, observe que o foco do problema apontado por Paulo em 1 Co 5 não é um cristão que fornicou, mas o fato de que “por toda parte se ouve que HÁ imoralidade entre vocês…”

A disciplina bíblica não tem um fim punitivo, mas pedagógico. Ela não é direcionada ao que pecou (e se arrependeu), mas àquele que vive em seu pecado. Sua meta é conduzir ao arrependimento e não fazer com que os que devem experimentá-la paguem por seus erros, afinal Jesus já tomou o lugar deles ao ser crucificado.

Disciplinar alguém deve ser um ato de amor, assim como Deus corrige a quem ama. A igreja deve entender que assim como Deus nos disciplina para sermos participantes de sua santidade, ela deve fazê-lo com o mesmo propósito.

Naquele cujo que nos corrige para sermos santos,
Zé Bruno

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¹ Romanos 1.29-32; 1º Coríntios 6.9-10 e Gálatas 5.19-21
² 1º Coríntios 1.5,7; 3.1-3
³ 1º João 1.5-7

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A “Boca de Forno” do Boicote

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Hoje, por acaso, vi no Youtube que não só o Boticário lançou uma propaganda para o dia dos namorados com a presença de casais homossexuais, mas a Vivo também. A única diferença é que aquela foi publicada no dia 25 de maio, enquanto esta no dia 11 de junho.

Agora alguém me explique porque a propaganda do Boticário foi motivo para boicote e a da Vivo não? Se é para protestar contra uma, tem que fazê-lo contra a outra também, não obstante parece que é mais fácil boicotar perfume do que operadora de celular.

Quem aderiu ao boicote conclamado contra o Boticário terá que boicotar a Vivo também. E não só ela, se quiser manter-se coerente, mas qualquer outra marca que admita a existência da relação homossexual, porque se assim não for o que se vê são apenas participante da “Boca de forno”. Aquela brincadeira infantil comum no nordeste em que o “rei ordena” qualquer coisa sem precisar seguir uma lógica, a não ser sua vontade, e aqueles que estão brincando têm que obedecê-lo sem questionar sob pena de pagarem uma prenda.

Quando eu era criança costumava brincar disso. O melhor momento desta brincadeira era quando eu era o rei, pois mandar era sempre bom. Hoje, entretanto, não tenho mais interesse nela. Ela permanece apenas na minha memória, nas lembranças de uma infância vivida. Afinal quando se é criança, deve-se agir como criança, mas quando se cresce devemos deixar para trás as coisas de criança. A maturidade requer coerência ou no mínimo honestidade para reconhecer quando se está sendo infantil.

O dia em que aprendi sobre a Graça de Deus

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garrasdagrac3a7aNo início da minha fé, li vários livros do Max Lucado. Foi a partir da leitura de “Simplesmente como Jesus”(CPAD) que desenvolvi o hábito de ler. Me tornei um fã das suas obras, mas nenhuma delas foi tão reveladora quanto “Nas Garras da Graça”(CPAD).

Esse livro foi escrito principalmente tendo como texto-base o comentário bíblico de Romanos (ABU) do Reverendo John Stott. Foi lendo o texto do Lucado que me surpreendi pela primeira vez com a graça de Deus. Na época não conhecia o termos irresistível, preveniente, comum e especial atribuídos a ela. A graça era apenas a graça de Deus e nada mais.

Lendo “Nas Garras da Graça” tive muitos momentos de dúvida em relação ao que o Max estava falando. “Será que é assim mesmo?”, “Mas não há limites para o perdão de Deus?”, “Isso tá bom demais para ser verdade!” Percebi que se o que estava sendo apresentado ali fosse a verdade, então estava crendo numa caricatura de Deus, num deus cujo perdão tem limites, cuja severidade é maior do que sua bondade, num deus a quem precisava pagar penitencia como jejum ou outro “sacrifício” para ser perdoado.

Não tive como lê-lo sem questioná-lo. E confesso que até que aquelas verdades fossem absorvidas em minha mente e coração demorou um pouco. Mas de tão maravilhosa, como cantou John Newton, ela ainda hoje me deixa abobalhado, fascinado, grato, humilhado…Faço coro com certo pastor que disse que não há como pregar sobre a graça sem que os ouvintes fiquem incomodados.

O Max Lucado me incomodou, me deixou inquieto ao me apresentar a graça, ele abriu a porta e desde então percorro o caminho apresentado…

A Revolução Afetiva e o conflito entre cristãos e o movimento LGBT

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Muita gente já está de saco cheio com o conflito entre cristãos e o movimento LGBT, e preferem se render a um dos lados do que buscar entender o que de fato está acontecendo.

Nada é tão simples quanto parece. Nada é tão complicado que não possa ser esclarecido. No vídeo abaixo, Guilherme de Carvalho, teólogo e obreiro do ministério L’Abri Brasil, denuncia que o que está acontecendo no Brasil é uma verdadeira revolução, uma Revolução Afetiva.

Assista o vídeo e entenda como a “Revolução Afetiva” afeta várias esferas, principalmente as esferas jurídica e moral.

Posso levantar esta bandeira? – perguntas ao movimento #jesuscuraahomofobia

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Um grupo de evangélicos foram à Parada Gay com cartazes que diziam “Jesus Cura a Homofobia“. Alguns chegaram a pedir perdão pelos erro de outros irmãos. Muito bom demonstrar respeito pelos outros, principalmente quando pensam e agem diferente de nós. Muito bom expressar o amor e fazer isso tendo como base textos bíblicos. Para mim essas atitudes são louváveis.

Pelo que li na página do evento aqui no facebook o objetivo deste ato era “contra a intolerância, desrespeito e violência praticadas em relação à comunidade LGBT”. Isso é maravilhoso, afinal vai dizer que muitos evangélicos devido o preconceito e uma má compreensão do que a Bíblia fala sobre a homossexualidade não acabam descriminando os homossexuais?

No entanto é preciso esclarecer se quando a mesma Bíblia usada para referenciar o “amai-vos uns aos outros” afirma que a relação sexual entre pessoas do mesmo sexo é pecado, ela está sendo preconceituosa e homofóbica? Se quando alguém que tem na Bíblia sua única regra de fé e prática e expressa sua opinião acerca da homossexualidade, por exemplo, dizendo que é pecado ou que apenas a heterossexualidade representa o padrão de Deus para o casamento, estaria esta pessoa sendo homofóbica ou preconceituosa?

Será que alguém pode levantar a bandeira ‪#‎JesusCuraaHomofobia‬ e também a que Ele cura da cegueira espiritual “que obscurece o entendimento das pessoas para que não vejam o evangelho da glória de Deus”, o qual declara que “os que se entregam a práticas homossexuais de qualquer espécie”(1º Co 6.10), por exemplo, “não herdarão o Reino de Deus”?

Eu faço essas perguntas para saber se estou diante de uma causa que tem “o evangelho todo para o homem todo” como agenda de suas ações ou apenas de um movimento à la carte quando se pensa biblicamente. Embora o ato já tenha passado, o movimento continua e quero saber em que direção ele vai.

Naquele que chamou em amor a sua verdade,
Zé Bruno